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  • Foto do escritorRicardo Chaves

VISIONÁRIOS - NOVAS COMPETÊNCIAS, VELHOS DESAFIOS


Olhar e ver são diferentes. O primeiro diz respeito à ação de dirigir os olhos para determinada pessoa, objeto ou situação, sem que necessariamente exista alguma intencionalidade no ato. Ver é diferente, ver implica intenção, interesse e capacidade de compreensão. Ver é a ação de encontrar o que está por traz daquilo que se olha. Ver vendo é um desafio para os líderes no século XXI; enxergar as oportunidades nas entrelinhas dos problemas, das crises, dos fracassos. Também é necessário integrar as ações e as visões corporativas, parece óbvio, mas não é. Desdobrar a filosofia, visão, missão e valores da sua empresa traduzindo-os em comportamentos observáveis e posteriormente em cultura organizacional é a única forma de transformar uma visão em realidade.


Abaixo vai um texto legal sobre percepção, ver vendo!

Ricardo Chaves


Ver vendo, de Otto Lara Rezende


... De tanto ver, a gente banaliza o olhar... Vê não-vendo... Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver... Parece fácil, mas não é... O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade... O campo visual da nossa rotina é como um vazio... Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta...


Se alguém lhe perguntar o que você vê no seu caminho, você não sabe... De tanto ver, você não vê... Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio de seu escritório... Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro... Dava-lhe um bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência... Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer... Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia...


Em 32 anos, nunca o viu... Para ser notado, o porteiro teve que morrer... Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser que também ninguém desse por sua ausência... O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem... Mas há sempre o que ver... Gente, coisas, bichos... E vemos? Não, não vemos... Uma criança vê o que um adulto não vê... Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo...


O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê... Há pai que nunca viu o próprio filho... Marido que nunca viu a própria mulher (e desconhece os seus segredos e desejos), isso existe às pampas... Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos... É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença...



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